O papel das TIC em contextos de crise

Estamos perante uma crise quando identificamos ameaças ao funcionamento normal de uma sociedade. Isto é uma definição generalizada, mas adequada para um conceito por si muito geral. Entramos numa situação de crise quando as condições normais do dia-a-dia são claramente perturbadas, e nem as respostas especializadas têm lugar na nova dinâmica.

A gestão destas crises é uma questão complicada, principalmente porque envolve a participação de vários agentes como as autoridades públicas, os serviços de emergência, as organizações não-governamentais e as comunidades, entre outros. Cada um destes agentes desempenha papeis específicos no que diz respeito à análise, tomada de decisão e gestão de crise.

A capacidade que cada agente possui para planear, coordenar e comunicar esforços tem sempre um impacto na gestão de crises. É compreensível que a comunicação e a coordenação falhem quando confrontadas com vários tipos de ameaças, mas é este o desafio que realça a importância das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). As infraestruturas e aplicações tecnológicas disponibilizadas pelas TIC ao longo das últimas décadas revelaram ser respostas essenciais aos desafios existentes e ajudaram também a inovar novas soluções para futuros problemas.

Hoje falamos um pouco sobre o papel que as TIC têm desempenhado ao longo de várias crises, analisando como alguns importantes agentes beneficiam ao utilizar estas tecnologias nos seus esforços.

Apoio aos serviços de emergência. Este é um ponto ótimo para começar a explicar como estas tecnologias são importantes, pois muitos avanços aqui têm em mente uma gestão preventiva de crises, em resposta também a desafios antigos que obrigaram a mudanças na norma.

Segundo a Marktest, cerca de 96% dos portugueses tem um telemóvel, um aumento que tem sido constante nos últimos anos. Os telemóveis pessoais substituíram em grande parte os telefones domésticos, e esta evolução, à semelhança do que aconteceu em centenas de outros países, foi acompanhada por importantes medidas preventivas de emergência, como alertas de rapto de crianças (por exemplo, o Alerta Amber nos Estados Unidos) e alertas de ameaças ambientais por SMS (por exemplo, os avisos da Proteção Civil em situação de tempestade).

Dar uma voz à comunidade. Em situações de crise a comunidade é um agente muito poderoso, cada vez mais graças ao crescimento das redes sociais que, em inúmeras situações, fortaleceram as vozes dos indivíduos. Recorrendo ao uso das redes sociais, as comunidades afetadas conseguem nos momentos críticos procurar e partilhar informação, oferecendo uma visão ao mundo, em tempo real, das mais diversas crises

Estas informações em tempo real revelaram-se vitais para governos e equipas de resgate e salvamento, tal como aconteceu em 2010 no terramoto do Haiti ou em 2013 no Ciclone Tropical nas Filipinas, contribuindo na coordenação dos esforços de socorro. Regularmente as redes sociais oferecem plataformas para a organização de comunidades de ajuda, que coordenam e apoiam diretamente os mais afetados, às vezes mais rapidamente do que qualquer outro tipo de apoio.

Desenvolvimento Sustentável. A convergência das TIC é um dos principais determinantes do desenvolvimento económico, político e social, e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) temos a maior prova disso. Os ODS, adotados por todos os Estados Membros das Nações Unidas em 2015, definem prioridades e objetivos para 2030 e visam mobilizar esforços globais em torno de objetivos partilhados, como erradicar a pobreza e garantir o acesso universal aos serviços básicos. O mais interessante é que cada objetivo pode ser influenciado positivamente pelas TIC, apesar de nenhum visar especificamente estas tecnologias.

Para António Guterres, Secretário-Geral da ONU, “o impacto da revolução digital está a tornar-se cada vez mais evidente, e as tecnologias são fundamentais para acelerar o sucesso dos objetivos”. No entanto é importante notar que metade da população mundial está offline, e a desigualdade no acesso às TIC continua alta. As inovações que visam erradicar a crise da pobreza, como a utilização por parte dos agricultores de “imagens de satélites para monitorizar os campos, a escassez de água e as alterações climáticas”, prometem enormes avanços, mas apenas quando a “crise” da exclusão digital for resolvida com sucesso.

Este ponto trata da gestão de crises no longo prazo, mas é tão importante como as medidas preventivas que falámos anteriormente. As crises são formadas em diversos formatos, e muitas persistem ao longo de décadas e centenas de anos. É olhando para a constante inovação tecnológica que podemos encontrar mais respostas e soluções.

Superar desafios. A atual pandemia mundial acelerou a transformação digital e revelou quão importantes são as redes de telecomunicação e as infraestruturas digitais globais. Vitais à comunicação, estas permitiram que profissionais de saúde e outros serviços essenciais permanecessem conectados, essenciais também para apoiar a “nova normalidade”.

Em 2020 o setor TIC registou perdas significativas, no entanto as previsões para 2021 indicam já uma recuperação para o setor, resultado dos esforços das empresas digitais em responder não só aos desafios da pandemia, mas também às empresas que procuram manter-se competitivas num mundo cada vez mais digital.

É interessante pensar no que está reservado para as TIC, neste momento tão crucial para o setor. Podem os desafios atuais aumentar o poder destas tecnologias e o alcance das soluções? Que inovações na gestão de crises vamos observar?

Aqui na Armilar fazemos questão de falar sobre as vantagens que a tecnologia certa oferece, bem como indicar às empresas como melhor podem tirar aproveitar essas vantagens. Definimos esta missão porque acreditamos no poder da tecnologia e da inovação. Ao compreender o que estas tecnologias significam para nós e para o mundo, maior será o leque de oportunidades e inovações.

Covid, Crisis, TIC

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